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O presidente da Cooperativa de Moura revela que o próximo ano “é uma incógnita”

Escrito por em Janeiro 2, 2023

Sobre os balanços de 2022 e as expectativas para 2023, matéria que a Planície tem vindo a desenvolver com algumas empresas, instituições e figuras, o presidente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB), José Duarte, começou por falar do ano que encerrou. Contudo, mostrou-se reticente quanto a este que entrou.

“Em relação a 2022, a cooperativa veio de uma produção record, tanto de azeitona como de azeite e conseguimos cumprir o plano de vendas que tinha sido apresentado aos sócios”. Por outro lado, o ano ficou marcado “pela subida dos factores de produção (adubos, gasóleo, energia)”, o que fez “disparar os custos da conta cultura dos nossos agricultores. Se juntarmos a isso a fraca produção de azeitona nesta campanha, os resultados para os agricultores são ruinosos”.

Como nota a destacar, o empresário agrícola relembrou o tipo de olival que existe na zona de Moura, “o olival predominante é o tradicional de sequeiro”, menos rentável que o de regadio.
José Duarte afirmou ainda que a campanha de azeitona que ainda está a decorrer, “vai ser fraca” e rondará os “28 milhões de quilos e com uma funda baixa”.

A subida do preço nas matérias subsidiárias, levou também a “alguns atrasos de fornecimento, nomeadamente nas garrafas, mas não pôs em causa a operacionalidade da nossa cooperativa”.
Apesar da conjuntura, a aposta da empresa em outros mercados, foi bastante positiva. “Em termos de vendas, começámos a exportar azeite embalado com a nossa marca para os Estados Unidos da América, um mercado interessante, que está a crescer e é uma mais valia para a nossa marca”, revelou o empresário.

Com 2022 encerrado, 2023 avizinha-se um ano de “incógnita” e o responsável da empresa explicou porquê: “o aumento das taxas de juro e a inflação muito alta, no caso do azeite, como estamos a ter a nível mundial uma campanha abaixo do esperado, pode levar a uma subida do preço do azeite e eventualmente uma retracção no consumo”. Esse impacto não será sentido pela CAMB, como disse, “porque a campanha é pequena e vai ser absorvida pelos parceiros comerciais”.

Já para este ano, um dos desejos da cooperativa, é o avanço do “bloco de rega Moura/Póvoa/Amareleja” e que os agricultores da Rede Natura 2000 sejam “justamente remunerados pelo serviço ambiental que estão a prestar”, concluiu José Duarte.
As expectativas para o ano que já entrou não estão fáceis, como referiu à Planície o empresário agrícola, com uma campanha mundial de azeitona abaixo do esperado, o preço do azeite a subir e o consumo que pode vir a diminuir.