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Alentejo – Mais de 30 mil árvores de montado (sobreiros e azinheiras) vão ser abatidas

Escrito por em Julho 10, 2022

Segundo notícia do Público online, a Barragem do Pisão, no Alto Alentejo, será feita numa zona onde o montado é predominante e a povoação que dá o nome à barragem ficará submersa para que sejam regados mais de cinco mil hectares de olival, vinha e amendoal.

O estudo sobre a construção da Barragem do Pisão é claro: vai ter impactos negativos significativos.

Um dos principais será a destruição de vastas áreas de montado, com o abate de mais de três dezenas de milhares de sobreiros e azinheiras, a que acresce a afectação de sítios arqueológicos e a submersão da povoação que dá o nome ao empreendimento.

Esta é uma aspiração antiga da região, onde a água que será armazenada dará alento às culturas intensivas que têm marcado a paisagem alentejana nos últimos anos.

Recordamos que o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), em documento, alertou em 2021, que a construção da Barragem do Pisão, no Alentejo, poderá ser “um buraco de consequências sem retorno”.

“Como forma de compensação, foram feitas promessas de que a população da região beneficiará com o desenvolvimento das actividades agrícola, agro-alimentar e turística”, acrescentam.

Citada no documento, a coordenadora do projecto Rios Livres, do GEOTA, Catarina Miranda, afirma que as “promessas de compensação” feitas pelo Governo são uma “nuvem de fumo” que vão “seguir o exemplo” do Alqueva, onde, quase duas décadas depois, a população “já não tem o dinheiro das indemnizações, continua sem terras, sem emprego e muitos já partiram da região”, tal como “mostram” os Censos de 2021, que revelam uma “diminuição de 10%” da população do concelho de Portel (Évora).

“É verdadeiramente triste ver que estes investimentos beneficiam grandes explorações agrícolas, deixando de parte os produtores locais”, afirma a responsável, citada no documento.

Para construção desta barragem no Alentejo está previsto um investimento de 171 milhões de euros, dos quais 120 milhões estão inscritos no PRR.