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“Tenho uma afeição muito profunda pela minha terra” – Francisco Moita Flores

Escrito por em Maio 20, 2022

Pouco antes de marcar presença na 41ª edição da Feira do Livro, o escritor Francisco Moita Flores concedeu uma entrevista à Planície onde falou sobre o seu mais recente romance, “A Despedida de Ulisses” e a importância dos livros na sua vida, assim como as boas memórias que guarda de Moura e o orgulho em ser Alentejano. O escritor aproveitou este momento para recordar alguns momentos marcantes da sua vida.

Começou por dizer que o livro, “dedicado ao meu pai, mas não é sobre o meu pai, é sobre nós e aquilo que vivemos durante os primeiros seis meses de pandemia, expropriados de nós próprios, sem existência, mais corpos do que humanos”. E continuou: “Conto a história de um casal, do Ulisses e da Florência, ele que estava desejoso da reforma para viver a sua vida e os projectos adiados, reforma-se e entra em confinamento. Então, é a desilusão destas duas criaturas e dos seus filhos, que foi a nossa desilusão e o confronto com esta dura realidade, que foi a pandemia”.

O regressar à sua terra natal, Moura, é sempre um momento especial para Francisco Moita Flores: “É regressar sempre ao colo, todos nós nascemos num colo muito especial que é o da nossa mãe, o colo especial das ruas onde brincámos, passeámos, namorámos, da nossa vivência e crescimento. Perceber a vida onde nos encontrávamos. Tenho uma afeição muito profunda pela minha terra”.

E, este encontro não podia ter acontecido em melhor altura: “Regresso 50 anos depois, com um sotaque muito especial para a Feira do Livro. A minha vida são livros e encontrar-me com os livros na minha terra, é qualquer coisa de especial”.

Entre muitos assuntos abordados, não faltou a questão do desenvolvimento de Moura. Na opinião do escritor, “O problema de Moura, é o problema do Alentejo e do interior do País, de envelhecimento, de empobrecimento demográfico, da falta de investimento, da ausência de escolas, do crescimento de lares e ausência de maternidade”. Este “problema estrutural”, segundo disse, prende-se com as políticas do interior do país e do poder central.

Com boas memórias da sua infância, recordou as ruas da sua infância em Moura e dos amigos que deixou.

O escritor Francisco Moita Flores, natural de Moura, pouco antes de marcar presença na Feira do Livro, foi entrevistado pela Planície, numa emotiva conversa.