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Seca: Agricultores do distrito de Beja em dificuldades

Escrito por em Fevereiro 28, 2022

Os agricultores do distrito de Beja, encontram-se em dificuldades devido à seca e preocupados com a falta de medidas e de um planeamento estratégico dos recursos hídricos.

O presidente da Associação de Agricultores de Serpa, (AAS), José Damião Félix em entrevista à Planície referiu que “a situação neste momento, é que as culturas de Outono/Inverno, estão comprometidas irremediavelmente. Ou seja, mesmo que comece a chover, agora no mês de Março, existe aqui o problema da garantia da alimentação animal para o próximo ano”. E salienta que “se esta falta de chuva se prolongar, poderá, muito provavelmente colocar em causa o abeberamento animal para a época de Verão”.

Em relação à pecuária a situação também é problemática e Damião Félix sublinha que “já se vê algum movimento no refugo dos animais pouco produtivos, animais mais velhos e vê-se também a venda de animais novos, que estão a ser vendidos, para evitar as necessidades da alimentação e baixar os custos ao longo da Primavera”.

Outra das preocupações dos agricultores prende-se com os custos das rações e forragens embora se “consiga comprar comida, ela está disponível, mas os custos têm vindo a aumentar ao longo do último trimestre de 2021 e no início de 2022” e o presidente da Associação acrescenta que este aumento deve-se “à escassez de matérias primas e do aumento dos combustíveis, que tem um impacto no transporte das rações e das matérias para a alimentação animal”.

Damião Félix sublinha que “ainda se consegue comprar ração, relativamente à forragem, à palha, ela ainda existe, consegue-se comprar, mas o valor está ao dobro do que estaria normalmente”.

Os agricultores pedem medidas imediatas e a médio prazo, para o agricultor há 3 medidas que são fundamentais no imediato. “A primeira é o pastoreio dos pousios, a segunda é a autorização, para quem está em produção biológica, poder começar a alimentar os seus animais com comida convencional, porque se já vai sendo complicado encontrar comida em modo convencional, em modo biológico ainda é pior. A terceira é, que a medida de apoio ao abeberamento animal, seja imediatamente aberta no PDR 2020, porque se assim for, garantimos que temos aqui, um espaço de um mês para análise dos investimentos e em Abril estaríamos já a fazer o investimento necessário para garantir o abeberamento animal na época do Verão”. Damião Félix adiantou ainda outras medidas como “a autorização por parte do ICNF, das podas das árvores, sem necessidade de licenciamento e vistoria, para garantir alguma fibra, para irmos compensando, porque nós sabemos que há medida que o tempo passa, a palha vai escasseando”.

Sobre as medidas que os agricultores reivindicam referiu que “é um plano de contingência.  No fundo é dizer que nós sabemos que as secas são cíclicas, já não é um evento ocasional e não há um plano estratégico concertado, com um conjunto de medidas, para arrancarem no momento em que sabemos que estamos em seca. Continuamos a trabalhar em cima do joelho e isso não pode ser”.

Por sua vez o Governo vai destinar cinco milhões de euros do Fundo Ambiental para campanhas de sensibilização e para soluções de contingência, no âmbito da seca que o país atravessa.

O Ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes,

deu como exemplo de soluções de contingência que podem vir a ser necessárias o transporte de água em camiões-cisterna, de “pequenas soluções alternativas para poder aceder a água” e da “limpeza dos fundos de algumas albufeiras para aumentar o seu prisma de água”.

O Ministro lembrou que existe uma hierarquia “bem definida” sobre o principal uso da água das albufeiras, que “é o consumo humano” e que todas as outras funções – como a produção de electricidade e a rega das culturas, apesar de “certamente importantes”, são “menos relevantes” do que o consumo humano.