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Moura fica de fora do Bloco de Rega. Só vai avançar Póvoa/Amareleja

Escrito por em Janeiro 18, 2022

O aviso lançado no dia 10 deste mês do Programa Nacional de Regadios, para apresentação de candidaturas para o avanço do Bloco de Rega Moura/Póvoa/Amareleja com um investimento de 127 milhões de euros, já não vai contemplar as terras que pertencem à freguesia de Moura, segundo informação que a Planície obteve.

O Presidente do Conselho de Administração da EDIA, José Pedro Salema, confirmou a informação, após ter sido questionado pela Planície. “O aviso é para financiar obras que estão com elevado grau de maturidade. Acontece que a dotação do orçamento (127 milhões de euros), não permite que se faça tudo aquilo que gostaríamos”. Isto aconteceu porque “nos últimos dois anos houve uma escalada de preços da construção civil que pode chegar aos 30%”.

Nesse sentido e segundo o Presidente do Conselho de Administração da EDIA, foi necessário tomar “opções de cortar algumas áreas que unitariamente eram mais caras de estruturar e deixar outros blocos pelo caminho, para uma oportunidade futura que venha a aparecer”. Ainda assim, “contamos candidatar a área da Póvoa/Amareleja com menos área do que aquela que estava prevista inicialmente” e que agora é de “6.500 hectares”, afirmou o engenheiro agrónomo.

Com os cortes orçamentais previstos, José Pedro Salema explicou o que vai acontecer agora: “O bloco de Moura estava incluído num grande bloco da Póvoa, onde fica a Estação Elevatória, que abrange desde as penínsulas a norte da Póvoa de São Miguel, até à Amareleja e cá abaixo a Moura, já na margem esquerda do Ardila, até aos coutos de Moura. Essa área que está mais próxima de Moura tivemos de cortar”.

Em razão disso, “há uma extensão de adutora, um tubo muito grande que não tem derivações e não tem área regada e tem de vencer uma distância muito grande”. Além deste procedimento, “há uma travessia do Ardila também a vencer”, afirmou o PCA da EDIA.

Porém, não é a única questão a ultrapassar, tal como referiu José Pedro Salema: “Há uma questão ambiental que está relacionada com um abrigo de morcegos que existe em Moura e o ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas) entende que deve ser estudado o impacto do regadio num raio de 10 quilómetros. A soma dessas duas coisas, leva-nos a não avançar agora para essa área”.

No que diz respeito às consequências que possam surgir com este recuo do bloco de Moura e concretamente em relação ao investimento que eventualmente tenha sido feito pelos agricultores mourenses, José Pedro Salema afirmou que “percebo e sou solidário com um certo defraudar de expectativas que existem, mas quando um investidor avança para uma decisão desse género, está a arriscar”.

E continuou: “Se está prevista uma determinada infraestrutura, está prevista, não se está a concretizar. Houve investimentos, é uma situação dramática, mas a responsabilidade da EDIA é muito limitada. Quando muito, o Governo poderá atender a esses pedidos”.

O engenheiro agrónomo voltou a realçar que a EDIA nada tem a ver com o assunto: “Essas decisões não foram decididas pela EDIA. Foram impostas e não é só aí que existem expectativas que não foram cumpridas. Existem muitas outras áreas de expansão, como Vila Nova de S. Bento, Cabeça Gorda, Marmelar e Monsaraz, que são áreas que estavam previstas infraestruturar e não vão avançar”.

Como tal, apenas se vai candidatar ao Programa Nacional de Regadios o Bloco de Rega Póvoa/Amareleja.