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Já arrancou a campanha da azeitona. Região de Moura espera valores recorde

Escrito por em Outubro 21, 2021

Este ano deverá chegar às 150 mil toneladas de azeite. O maior recorde de sempre. O olival moderno vai ser responsável por 80% da produção e ainda resulta de mais criação de emprego no interior.

A campanha da azeitona arrancou no passado dia 15 de Outubro, num ano em que é esperada uma produção recorde de 150 mil toneladas de azeite, de acordo com as previsões da Olivum — Associação de Olivicultores e Lagares do Sul. O valor das exportações deverá aumentar e superar os 600 milhões de euros.

A maior produção de azeite de sempre deve-se a uma floração que decorreu sem problemas, à pluviosidade em quantidade certa e ainda à quase ausência de pragas. Mas, acredita a Olivum, estes valores devem-se também a uma agricultura inovadora e de precisão que – aliada a preocupações de sustentabilidade ambiental – antevê boas perspetivas de futuro.

“O sector do azeite está no top dos rankings em termos de sustentabilidade ambiental com reduzida utilização de água (3000 m3/ha), diminuta aplicação de fitofármacos (apenas 8% do mercado nacional de fitofármacos) e relevante sequestro de carbono (4 a 7 ton/ha)”, refere Gonçalo Almeida Simões, diretor-executivo da Associação.

O olival moderno é responsável por 80% da produção nacional de azeite, estando Portugal posicionado como o 8.º maior produtor mundial de azeite, com produtividades recorde no Alentejo que podem chegar – em 2021 – às 20 toneladas por hectare.

O País é o primeiro no mundo em termos de qualidade, ao produzir 95% de azeite virgem e virgem extra. Os Estados Unidos da América ocupam o segundo lugar, atingindo os 90%; Espanha e Itália aparecem em terceiro, com apenas 70%.

Portugal garante desde 2014 a sua autossuficiência em azeite e as exportações têm crescido de forma marcada nos últimos anos, ao atingirem 500 milhões de euros em 2017, cerca de 600 milhões, em 2020, e com a perspetiva de superação deste valor agora em 2021.

O olival moderno e os olivicultores estão empenhados em melhorar a produtividade, alargar mercados, trazer riqueza à região e criar emprego, contribuindo para a inversão dos números do Censos de 2021. “Não fosse o forte investimento no agroalimentar no Alentejo, os números teriam sido bem piores, tendo servido os investimentos no interior do País para desenvolver a economia local, evitar um ainda maior êxodo rural e até atrair quadros qualificados dos centros urbanos para as áreas rurais”, defende Gonçalo Almeida Simões, da Olivum.

O investimento no sector permitiu passar de 80 mil toneladas em 2014 para 135 mil toneladas de azeite produzido em 2019. As empresas a atuar são maioritariamente portuguesas e o setor conseguiu atrair investimento direto estrangeiro de países como Espanha, Inglaterra, Chile, Arábia Saudita, Suíça ou Dinamarca.

A Olivum verticalizou a sua operação e passou a ser a maior associação portuguesa de Olivicultores e Lagares, com 42 mil hectares de exploração agrícola, 100 associados, 300 explorações e 14 lagares.

Segundo José Duarte, da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos “as estimativas apontam para uma boa produção de azeite em Portugal. Essa produção recorde deve-se a um conjunto de factores”.

“Nós tivemos um ano muito favorável em termos pluviométricos, devido a uma primavera em que choveu na altura certa. Recentemente tivemos também estas chuvas outonais que fizeram com que o olival de sequeiro, nesta altura do ano, já se encontrasse bastante bem em termos de calibre de azeitona. Assim sendo, nós na cooperativa, também esperamos para este ano uma produção recorde”. Afirmou a Planície José Duarte.